A competência linguística como fator de promoção social
O
principal papel da escola é educar e preparar seu aluno para o exercício da
cidadania, ou seja, formar um cidadão ativo e transformador da sociedade, e mudanças
importantes têm acontecido nos paradigmas didáticos para que se possa alcançar
esse objetivo. O professor deixou de ser um mero transmissor de saber para um
aluno que era visto como um simples depositário de informações. O aluno agora
traz para a sala de aula seu conhecimento de mundo e seu saber linguístico.
Um
dos principais paradigmas rompidos diz respeito à abordagem da língua como um
bloco homogêneo, em que o conjunto de regras configurava-se como uma espécie de
lei que regulava o uso da língua “correta”, considerando-se “erros” as outras possibilidades
existentes nas demais variedades da língua. O professor Ataliba Castilho chama a atenção para o
fato de que essa atitude preconceituosa por parte do professor impossibilitava
que houvesse uma relação de confiança entre professor e aluno, o qual se sentia
excluído.
Com
essa nova prática de ensino-aprendizagem, que explora a questão da
“adequabilidade e aceitabilidade”, que são indissociáveis, houve grande redução
da discriminação e do preconceito linguístico. Termos de adequar nosso
linguajar às diversas circunstâncias sócio-comunicativas que norteiam nossa
vida. A prática linguística nos mostra que existem contextos em que o uso do
tom coloquial se faz necessário, assim como existem outros em que não nos é
permitido esse posicionamento.
Por
outro lado, como afirma Fiorin a norma padrão, a língua
do Estado que é ensinada na escola, deve ser dominada pelo aluno, mesmo que as
outras variedades de uso não sejam mais vistas como “erros”, pois o domínio da
linguagem culta possibilita a promoção social do aluno. Portanto, a partir da
língua falada pelo aluno, deve-se promover o ensino da norma culta, fazendo com
que ele tome consciência das variedades linguísticas existentes nas diversas
esferas sociais, regionais, geracionais ou situacionais, entre outras, bem como
possa se preparar para usar a variedade da língua que é obrigatória em
determinadas esferas de circulação de textos.
Assim
sendo, deve-se respeitar o saber linguístico prévio do usuário da língua, mas
não se deve privá-lo do direito de ampliar, aprimorar e variar esse patrimônio
linguístico inicial. Em outras palavras, a língua padrão, dita norma culta, não
é considerada pelos linguistas nem melhor nem pior que a linguagem popular usada
pelos falantes em suas diversas possibilidades variacionais, pois ambas
constituem variantes linguísticas válidas e o aluno deve sentir-se capacitado a
circular e comunicar-se adequadamente nas diversas esferas da sociedade.
Cássia Durigan