sábado, 14 de setembro de 2013

A competência linguística como fator de promoção social


O principal papel da escola é educar e preparar seu aluno para o exercício da cidadania, ou seja, formar um cidadão ativo e transformador da sociedade, e mudanças importantes têm acontecido nos paradigmas didáticos para que se possa alcançar esse objetivo. O professor deixou de ser um mero transmissor de saber para um aluno que era visto como um simples depositário de informações. O aluno agora traz para a sala de aula seu conhecimento de mundo e seu saber linguístico.

Um dos principais paradigmas rompidos diz respeito à abordagem da língua como um bloco homogêneo, em que o conjunto de regras configurava-se como uma espécie de lei que regulava o uso da língua “correta”, considerando-se “erros” as outras possibilidades existentes nas demais variedades da língua. O professor Ataliba Castilho chama a atenção para o fato de que essa atitude preconceituosa por parte do professor impossibilitava que houvesse uma relação de confiança entre professor e aluno, o qual se sentia excluído.

Com essa nova prática de ensino-aprendizagem, que explora a questão da “adequabilidade e aceitabilidade”, que são indissociáveis, houve grande redução da discriminação e do preconceito linguístico. Termos de adequar nosso linguajar às diversas circunstâncias sócio-comunicativas que norteiam nossa vida. A prática linguística nos mostra que existem contextos em que o uso do tom coloquial se faz necessário, assim como existem outros em que não nos é permitido esse posicionamento.

Por outro lado, como afirma Fiorin a norma padrão, a língua do Estado que é ensinada na escola, deve ser dominada pelo aluno, mesmo que as outras variedades de uso não sejam mais vistas como “erros”, pois o domínio da linguagem culta possibilita a promoção social do aluno. Portanto, a partir da língua falada pelo aluno, deve-se promover o ensino da norma culta, fazendo com que ele tome consciência das variedades linguísticas existentes nas diversas esferas sociais, regionais, geracionais ou situacionais, entre outras, bem como possa se preparar para usar a variedade da língua que é obrigatória em determinadas esferas de circulação de textos.

Assim sendo, deve-se respeitar o saber linguístico prévio do usuário da língua, mas não se deve privá-lo do direito de ampliar, aprimorar e variar esse patrimônio linguístico inicial. Em outras palavras, a língua padrão, dita norma culta, não é considerada pelos linguistas nem melhor nem pior que a linguagem popular usada pelos falantes em suas diversas possibilidades variacionais, pois ambas constituem variantes linguísticas válidas e o aluno deve sentir-se capacitado a circular e comunicar-se adequadamente nas diversas esferas da sociedade.

Cássia Durigan


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